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Crônicas das coisas


O que vai por dentro

Outro dia ouvi uma "crítica construtiva" de uma pessoa que amo muito sobre a exposição que faço de mim mesma aqui no blog. Parei, pensei e acho que essa pessoa tem razão. No entanto, o Crônicas das Coisas é meu canal para expor meus sentimentos e por vezes, esses sentimentos são tão urgentes que preciso colocá-los pra fora para elaborá-los melhor.

Escrever me traz esse benefício, sempre trouxe. A diferença é que antes eu fazia em diários fechados, hoje faço num diário aberto em plena internet, onde a privacidade é zero. Hoje estou em ebulição. Mil coisas aconteceram nos últimos dias e mexeram com minha alma, não poderia deixar de postar isso aqui. O que é? Infelizmente não poderei comentar, mas é algo que me trouxe uma das maiores alegrias da minha vida.

Uma emoção, uma felicidade indescritível. As pessoas saberão? Com certeza. Vontade de gritar ao mundo minha felicidade não me falta. Por outro lado, temo colocá-la em risco só pelo simples fato de deixá-la assim aberta e exposta. Por enquanto, só o fato de passá-la para a tela do meu PC já ajuda a elaborar melhor os sentimentos que insistem em brotar da alma e querem dançar na rua...



Escrito por Eloisa Morales às 13h56
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Preconceito que cega

Esse fim de semana, assisti a um filme muito bom. Há tempos tentava locá-lo, sem sucesso. Trata-se de "Milk", uma história verídica que conta a trajetória política de Harvey Milk, um ativista dos direitos civis da comunidade homossexual nos Estados Unidos da década de 70. A atuação de Sean Penn no papel de Milk é sensacional e segura o filme do começo ao fim. 

A história choca um pouco pela realidade nua e crua dos gays naquela época. Conversando ontem com meu amigo Juarez Paes sobre o filme, me dizia ele que não há exagero algum no argumento da obra e, segundo ele, os gays realmente não tinham direitos assegurados nos Estados Unidos naquele período, tal como acontecia aos negros. Basta dizer que havia um movimento liderado por "pseudorreligiosos" para tirar das escolas públicas professores homossexuais, com o argumento de que eles "recrutavam" alunos para a comunidade gay, uma coisa absurda de se acreditar.

Um horror pensar que isso realmente aconteceu. Mas essas pessoas não tinham respeitados direitos básicos do ser humano, mesmo tendo a Constituição como garantia de igualdade. Vale a pena ver e refletir a respeito da hipocrisia e intolerância que, 30 anos depois, ainda se manifesta em vários lugares do mundo...



Escrito por Eloisa Morales às 22h03
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Que venha 2010...

Esses dias, relendo um post aqui deixado por mim no apagar das luzes de 2008, fiquei muito triste. Chorei até. Percebi a carga de esperança que eu depositava em 2009 naquela ocasião. O quanto eu esperava desse ano que agora também chega ao final. E o quanto, apesar de esperar, eu não consegui realizar. Perceber isso me deu um certo desespero e pouquíssima esperança.

Mas outro dia conversando com a Pá, minha fiel escudeira, chegamos à conclusão de que a sensação que me machuca é a de que adiei por um ano a minha vida. As coisas que eu de fato desejava realizar ficaram em segundo plano para viver outras que, na verdade, me levaram "do nada a lugar nenhum". Doeu, hein?

Talvez isso seja apenas uma sensação. Eu precisava viver as coisas que vivi para enxergar outras tantas que agora preciso pôr em prática. E novamente planejar, agora para 2010, as realizações que eu quero pra mim. Conversava sobre isso ontem pelo MSN com o amigo Orlando Bordin, um dos seres humanos mais incríveis que Deus pôs em meu caminho esse ano. Bom, só pelas amizades que fiz e fortaleci em 2009 o ano já valeu.

Mas tenho muito mais pela frente. Coisas inadiáveis e que preciso fazer. Pelo meu equilíbrio e fortalecimento, pela minha espiritualidade, por mim como ser humano. Que venha 2010, porque ele já está sendo semeado desde já... E com certeza colherei bons frutos.



Escrito por Eloisa Morales às 11h23
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Até uva passa...

Ainda bem que tudo passa nessa vida. Como diria minha amiga ruivíssima Fernanda Mariano, até uva passa...rs

Três dias depois de um texto 'down', baixo astral mesmo, volto aqui para postar algo bem mais alegre. Hoje, depois de muitos desencontros por causa de tempo (falta dele, na verdade) e compromissos, tive o prazer de almoçar na companhia do meu amigo Juarez Paes. Pro azar dele, quem fez o rango fui eu...

Mas tudo bem, ele sobreviveu. Saiu daqui inteirinho, como chegou. Semana que vem serei sua aluna em um curso rápido na Tramit. Quero, como disse a ele, aprender técnicas e macetes culinários e não apenas cozinhar de forma intuitiva, como faço hoje. Foi um excelente papo, que a gente precisava pôr em dia há um certo tempo. 

Também fiquei muito feliz ao abrir o MSN e deparar com uma mensagem deixada offline pelo amigo Orlando Bordin, querendo saber se eu estava melhor, já que, outro dia, eu ainda meio deprê, conversamos por longas horas aqui mesmo, pela net. 

Parece meio clichê, mas são meio anjos esses amigos que Deus põe em nossas vidas. Na minha, graças a Ele, existem vários. Até anjos desconhecidos. Outro dia, uma moça que não conheço, mas que lê meu blog, me ligou para dizer que estava solidária com minha dor e que me colocaria em suas orações para que eu melhorasse. Como eu, ela também sente um vazio às vezes por dentro e nem sempre consegue expressar o que sente. Também já a incluí nas minhas orações pedindo luz e paz ao seu coração.



Escrito por Eloisa Morales às 16h13
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Escuro...

Pensei que estava livre das zonas cinzentas em minha vida, mas parece que novamente me enganei. Estou atravessando uma dessas - e das bravas - neste exato momento. A sensação é de alguém que está em um avião atravessando uma nuvem escura e não tem a menor noção de quando sairá dela.

Nesse momento, tudo parece sem sentido: a vida, o lazer, o dia a dia. Antigos sonhos viraram pó, não consigo sequer resgatá-los para enxergar um pouco de cor nesse emaranhado de desgosto que tomou conta da minha vida. Senti que as coisas realmente se encaminhavam pra isso na terça-feira, durante uma caminhada na Pompeu.

Caminhada esta que tinha o objetivo de dar uma levantada no astral que já tava caído e liberar um pouco de neurotransmissores do bem. Não funcionou. Há pouco, me debatendo para tentar sair desse estado deplorável, fiz um enorme esforço para encontrar sonhos, planos ou qualquer coisa que me ajude a não submergir totalmente.

Nada do que pensei, nada do que planejei, nada do que desejei parece ter esse poder mais. Me sinto cansada. E muito só. Uma solidão incontrolável e onde ninguém consegue penetrar. De dentro do meu casulo, não consigo sequer dar a mão a um amigo e pedir ajuda. Mesmo assim, eles não têm me faltado. Só posso agradecer por isso.

Pensei em adotar um bicho de estimação, pensei em desenvolver um trabalho voluntário, pensei em pôr em ação meus planos para também me dedicar à docência. Nada disso, no entanto, consegue colorir a existência nesse momento. Nada disso é capaz de me dar um centímetro de esperança de dias melhores.

A Angela é minha única razão para não sucumbir de vez. Por ela tenho me levantado da cama às 11h da manhã, me arrastado até a cozinha para fazer almoço antes dela sair para a escola. Hoje nem isso fui capaz. As forças abandonaram as pernas e permaneci deitada, esperando ela sair para poder chorar. Me deu um pouco de febre.

Daqui a pouco, tudo isso vai passar, eu sei. Já vivi isso outras vezes ao longo desse último ano maldito e sempre saí do buraco. O que começa a me assustar é o fato de sempre voltar ao buraco, repetidas vezes, sem ter sequer um período razoável entre eles pra me sentir bem. Os intervalos entre um buraco e outro estão cada vez menores.

E dá-lhe antidepressivos. E dá-lhe terapia. Tudo isso pra que? Essas coisas apenas conseguem me segurar em pé. Me sinto dentro de uma ampulheta, onde a areia é o meu tempo que vai escorrendo sem que eu nada possa fazer. E parte desse tempo tenho perdido dentro dos buracos, fazendo uma força imensa pra sair de dentro deles.

O pior é a sensação de que a areia tá no fim para certos sonhos e que depois desse prazo acabar, restará apenas muita areia para suportar e nenhuma chance de ser feliz. 



Escrito por Eloisa Morales às 13h56
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"Ela só quer, só pensa em namorar"...

Hoje cedo, tomando café na cozinha pouco antes de ir para o jornal, comecei a cantarolar uma musiquinha que não me saía da cabeça. Eternizada pelo rei do baião, Luiz Gonzaga, Xote das Meninas, além de ser uma gracinha, recria com maestria o momento que vivo em casa. A versão que eu tinha na cabeça, no entanto, foi a cantada por Marisa Monte. Diz a letra:

De manhã cedo já está pintada, só vive suspirando,

sonhando acordada, o pai leva ao doutor a filha adoentada,

não come, nem estuda, não dorme nem quer nada,

ela só quer, só pensa em namorar, ela só quer, só pensa em namorar...

Mas o doutor nem examina, chamando o pai de lado, lhe diz logo em surdina:

o mal é da idade, e pra tal menina, não há um só remédio em toda a medicina...

E eu, cantanto e rindo, me dei conta de que não existe nada mais verdadeiro nesse mundo das adolescentes. A que tenho em casa não foge à regra. Vivemos, o Angelo e eu, às voltas com essa menina, pequena mulher e as agruras e delícias dos seus primeiros relacionamentos.

Vê-la passar por esses momentos (rindo de felicidade ou batendo a porta do quarto chorando, como se o mundo fosse acabar a cada briga) é uma oportunidade única e em muito me faz lembrar de mim mesma nessa idade. Quando uma flor boba colhida na rua é o presente mais valioso do mundo e uma discussão provoca a dor mais desesperada...

Como as outras fases, essa também vai passar. Mas enquanto não passa, vou ora me divertindo (ora enlouquecendo) com os altos e baixos que só os adolescentes têm. 




Escrito por Eloisa Morales às 00h11
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Ela agora canta para os anjos

No último domingo, morreu, aos 74 anos, Mercedes Sosa. E eu perdi, com sua morte, uma das vozes de minha infância. De timbre forte, a voz dela transmitia sensações boas quando eu ainda pouco entendia o que suas canções queriam dizer.

Gostava muito de ouví-la. Não sabia até hoje que ela foi uma voz política na América Latina em período de conflito e restrições de liberdade. Também hoje descobri que viveu exilada na Europa quando eu ainda nem havia nascido. Em suas músicas, sempre me chamou a atenção o sentimento.

Não por acaso, escolhi a música abaixo para aqui me lembrar dela. Para mim, Años, de Mercedes e Pablo Milanés, é a mais linda das canções por ela interpretada. Aqui, no entanto, vai a versão que ela gravou com Fagner e que marcou meus primeiros anos de vida.

Sua linda letra fala de maturidade e amor. Ou como a primeira transforma o segundo com o passar dos anos. Vale a pena perder alguns minutos para ouvir. No meu caso, voltar no tempo. 

 



Escrito por Eloisa Morales às 22h44
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Era vidro e se quebrou

Era uma vez uma garota que não acreditava em contos de fadas. Achava tudo aquilo uma enorme baboseira e de uma falta de criatividade sem tamanho. As histórias repetidas de pobres princesas indefesas que precisam sempre de um píncipe salvador lhe causavam repulsa.

A garota vivia feliz, tinha um monte de amigos legais e fazia alguns programas bem interessantes, que lhe davam enorme prazer de viver. Até que um dia, sentada numa mesa com amigos comendo pizza às 3h da madrugada, ela sentiu uma fisgada diferente.

Fisgada que continuou agulhando horas depois, quando ela e seus amigos se divertiam jogando bilhar. Era tudo realmente tão divertido, que ela nem se deu conta de que aquela "flechada" podia lhe causar sérios dissabores. 

Muitas coisas aconteceram depois dessa noite divertida e muitas vezes mais eles se encontraram em variadas situações, até que ela começou a achar certa graça nos contos de fada (menos na parte da pobre princesa que deve ser salva).

Passou a acreditar que príncipes encantados existiam e julgava possível que um dia aquele que ela elegera como o "seu" príncipe particular aparecesse montado em um cavalo branco.

Bom, nada disso aconteceu. Aos poucos, o príncipe se mostrou alguém preso a tantos papéis (os de papel mesmo e os sociais) que a garota começou a questionar tudo aquilo. Os antigos passeios divertidos foram ficando cada dia mais escassos até que um dia se acabaram de vez. O espaço de sua vida era todo preenchido pelos papéis (os de papel e os sociais).

Ela então viu que era hora de partir. De deixar pra trás uma história com a qual havia sonhado, na qual havia investido, e muito, do seu tempo. Ela não sentiu em nenhum momento raiva dele, porque foi capaz de entender seus motivos. 

Mas a tristeza que não queria mais ir embora a inspirou a contar uma história só para ver se as palavras conseguiam levar para longe um pouco da dor. A dor do vidro quebrado que só o tempo é capaz de colar...



Escrito por Eloisa Morales às 13h14
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É falta do que fazer

Não me considero uma pessoa intolerante. Muito pelo contrário. Tenho paciência até demais. Mas tem certas coisas que não consigo aguentar. Gente sem serviço é uma delas. No trabalho, sou vítima desse tipo de gente o tempo todo.

Eu não sei o que as pessoas pensam, mas ligar no jornal por qualquer besteira é a coisa mais comum desse mundo. Pedir telefone da rodoviária de Itapecerica da Serra, saber o que significam os mais variados verbetes do Aurélio ou quem foi Getúlio Vargas pra um trabalho de escola do filho e até para saber se vai chover na semana que vem. As pessoas não têm 'setocômetro' e ligam mesmo.

Pior que isso são aqueles que, sem absolutamente nada para fazer no dia, ligam no jornal apenas para papear. Tenho quase certeza de que as pessoas imaginam a redação como um lugar onde a gente senta pra jogar baralho.

... "Então, sabe o que é, moça? (começou a frase com 'então', você pode esquecer, não vai desligar antes de 15 minutos de lenga-lenga). Quando é problema envolvendo o poder público, a ladainha vai longe. E ninguém, absolutamente ninguém, consegue contar simplesmente o problema. Resumir. Falar. Ponto final. Não. É preciso tecer todo o rosário de três dias.

Minha amiga Agatha Urzedo é mais vítima que eu. Editora do caderno Vida, atende os mais variados tipos de loucos, que, sem absolutamente nada para fazer nem ninguém para encher o saco, ligam no jornal para que ela lhes dê a resposta das palavras cruzadas. E, o que é pior: quando as palavras deles não cabem nos quadradinhos, ligam para insultá-la. Já vi a coitada até resolver cruzadinha na hora para se livrar de um chato desses.

Mas nada se compara a receber ligação de colegas de outros departamentos que, sem a menor cerimônia, ligam pelos mais variados motivos (mas geralmente é pra sugerir uma matéria "sensacional", ou "furo", como as pessoas adoram dizer, se apropriando desse nosso batido jargão para se referir a qualquer buraco na rua ou besteira que o valha).

Uma coisa aprendi em 13 anos de jornalismo: qualquer bobagem é furo na opinião das pessoas se for um problema que as envolve. Como resolver esse problema? Sinceramente, não sei. Talvez sendo mal educada e despejando mau humor em quem liga só mesmo para pentelhar. Como eu sou incapaz desse tipo de atitude (nem nos meus piores dias), vou aguentando e fazendo crescer minha gastrite nervosa.

Ou postando aqui, como hoje, minhas perplexidades com a falta do que fazer das pessoas. Com os dias tão repletos de coisas para fazer, não consigo sequer imaginar como é ter tempo livre para perturbar gente que não tem tempo nem para respirar. 



Escrito por Eloisa Morales às 23h48
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Proibido fazer o número 2

Os jornalistas cubanos devem estar desanimados com a profissão. Não que os demais coleguinhas de outros países não estejam, mas em Cuba a situação é ainda mais dramática. Nada a ver com a atividade em si, mas sim com o destino das milhares e milhares de páginas dos jornais diários publicados na ilha de Fidel.

Lendo a Veja da semana passada, soube que os cubanos utilizam as folhas de jornal como papel higiênico. Isso mesmo: faltam rolos do elemento mais básico na higiene diária da população que, sem alternativa, recorre aos jornais. Detalhe: tem gente que vive de vender jornais velhos para essa finalidade, principalmente aposentados que veem nessa fórmula uma maneira de complementar os parcos rendimentos. 

O mais engraçado é que existem as preferências. O diário Granma, a cartilha do governo cubano, é o que tem maior procura. Macio, absorvente e com boa impressão, não corre o risco de colorir o traseiro dos "leitores". Já o semanário sindical Trabajadores é usado apenas em situações de aperto, já que tem, segundo a reportagem, um papel áspero e é impresso em tinta laranja...imaginem a beleza que vira...

Bom, não é para menos. Um único pacote de 4 rolos de papel higiênico na ilha custa o equivalente a R$ 5 e é inacessível ao cubano comum. Resultado: só têm direito ao papel turistas, uma vez que a "preciosidade" é encontrada em hotéis.

Nunca estive em Cuba e vontade não me falta. Mas agora já sei o que levar na mala quando for: rolos e rolos do nosso melhor papel higiênico para vender no "câmbio negro"...rs. 



Escrito por Eloisa Morales às 11h36
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Meu Ipê despertou...

Todos os anos, nessa época - fim de agosto, comecinho de setembro - meu ipê floresce magnificamente. Explico que ele não é exatamente meu, apenas fica no jardim da Folha da Região, onde trabalho. Mas gosto tanto dele, tanto, que o considero a única árvore que tenho no mundo.

Também fica ao lado da janela próxima à minha mesa, portanto, durante alguns poucos dias do ano tenho o prazer de vê-lo enfeitar o jardim do jornal, todo branquinho...E depois vejo suas flores caírem, deixando no chão aquele "tapete". Feitos de ciclos, os anos acabam por nos acostumar com suas fases.

Essa é uma fase que me agrada muito - é quando o calor começa a chegar e trazer as primeiras sensações de verão. Assim como gosto de abril - pois o frio ainda não nos castiga e somente uma brisa à noite (e lindos dias azuis, sem nuvens) vêm me alegrar a vida.

Esse ano, uma noite de abril (não vou me lembrar a data exata, apenas sei que foi numa sexta-feira), foi particularmente agradável. Me lembro de que jantei com amigos e dei muitas risadas, nada excepcional. E hoje, um dia de "quase setembro", um domingo, também foi muito especial. No entanto, nenhum dos dois teve nada fora do comum. Muito pelo contrário.

Comparo esses dois dias citados ao meu ipê, que nada tem de extraordinário (é apenas uma árvore, dirão alguns). Mas ao vê-lo, sinto uma alegria tremenda. Abaixo, compartilho a foto do meu lindo ipê branco, que fiz agora à tarde no jornal.



Escrito por Eloisa Morales às 19h55
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Um ex-beatle no meu blog

 

Fuçando no Ares - programa usado para baixar músicas na internet, encontrei hoje antigas canções gravadas pelo ex-beatle George Harrison no final da década de 80. O álbum - Cloud Nine (ou Nuvem Nove, se traduzido ao pé da letra) é magnífico. Meu pai tinha o disco de vinil.

Me lembro de que foi comprado em 1989, último ano em que moramos em Jaboticabal. Tenho lembranças muito boas - e outras nem tanto - dessa época, mas o disco, mais tarde substituído pelo CD, ficou guardado como uma das melhores memórias daquele período.

Recentemente estive em Jaboticabal, em visita à minha querida amiga Lu, e com ela passei em frente da casa onde moramos naqueles dois anos. O som correspondente às memórias que tenho da casa é exatamente desse disco. Abaixo, um dos sucessos do álbum, Someplace Else, que vale a pena ser ouvido. 

 

 



Escrito por Eloisa Morales às 14h51
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Sobre plantas e palavras

Não herdei do meu pai o talento para as plantas. Como dizem por aí: em casa de ferreiro, o espeto é de pau. Tivesse eu escolhido a agronomia e seria uma profissional sofrível. Meu lindo pé de manjericão, que chegou a mim como um lindo arbusto, morreu em semanas, tal minha falta de jeito para cuidar dele. A cinerária, comprada (e cultivada) com tanto amor e carinho, logo se mostrou descontente com os cuidados dispensados e também não durou muito. Melhor me conformar.

Acho que sou melhor com as palavras. Tudo bem que não brotam da terra, mas da cabeça de alguém (não necessariamente a minha). Com elas tenho mais facilidade. Gosto da lida diária com frases e ideias, embora isso às vezes se torne um tanto penoso. Talvez não por acaso a vida tenha me conduzido a essa saborosa e por vezes ingrata função da edição. Há textos deliciosos de se ler. Outros (a maioria, confesso) desesperadores. Levanto, dou uma voltinha, pego um café. Não tem jeito: é preciso encará-lo. Mais uma vez me conformo: conheço gente que pega textos piores. 

É de palavras que vivo. Em verso e prosa, tanto faz. Há aquelas que saíram dos outros, mas dizem o que quero dizer.  Há mais de um ano tenho tido a sorte de ouvir a música certa no momento certo. Que diz aquilo que preciso ouvir, dizer ou sentir no instante em que o sentimento precisa ser elaborado. Há pouco lutava para conciliar o sono enquanto esse texto teimava em brotar - frase a frase - da cabeça. Melhor não contrariá-lo, pensei. E me levantei para deixá-lo sair. 

É na forma de imensos textos que ganham a rua minhas angústias. Quando algo cutuca a alma, pego a caneta e escrevo em folhas de caderno tudo que incomoda. Antes tinha o hábito de guardar tais textos. Bobagem. Uma vez escrito, já saiu de mim e o melhor é não remoer - nem cultivar - mágoas e incômodos. 



Escrito por Eloisa Morales às 07h26
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Harry Potter e eu...

Desde 2000 acompanho a saga de Harry Potter, o bruxinho mais famoso do mundo. No começo, por curiosidade, já que a Angela era doida por causa desses filmes. Com o tempo, percebi que eu mesma gostava das histórias e que tais filmes eram capazes de me prender a atenção, provocando as mais diversas sensações - até tristeza!

Hoje, um estalo. Gosto de Harry Potter por causa da magia. Isso mesmo. A mesma que em nosso dia a dia é tão escassa e que tanta falta nos faz. Parece uma imensa bobagem, mas o filme supre nossas necessidades diárias de magia e com isso, prende nossa atenção. E a magia é a coisa mais linda que há na vida.

Trazendo para a vida real, traço um paralelo com uma situação que vivi há exatos três meses e dois dias (aliás, tal paralelo nasceu da avaliação que fazia eu daquela situação). Magia pura e que até hoje me alimenta a alma. Não sei explicar, não sei porque, mas é fato: foi mágico. Tão mágico quanto as sensações vividas ali no cinema. Deixo para o tempo responder porque foi tão mágico. Ou talvez essa resposta simplesmente não exista.

Tal como em Hogwarts, a magia é o que existe de mais importante. Se vai se tornar real um dia, só vivendo para saber. 



Escrito por Eloisa Morales às 13h36
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Direto do túnel do tempo...

Esse fim de semana estive em Jaboticabal, cidade em que morei entre 1988 e 1989. Fui visitar uma amiga, a Lu, que há sete anos não via. Apesar do tempo e da distância, nunca nos separamos e sempre damos um jeito de manter a amizade em dia. Da última vez que estive lá, há sete anos, fui assistir ao casamento dela. Naquela ocasião, entrar na cidade me causou grande emoção. A boca secou totalmente e as mãos suavam muito. Era como voltar no tempo, rever os dias bons da adolescência. 

Dessa vez, foi tudo mais tranquilo. Não tive esses ataques de ansiedade, só uma sensação muito boa ao rever minha amiga e constatar que apesar do tempo, parecia que tínhamos nos visto ontem. Falamos sem parar, é claro. Contamos da vida de hoje, lembramos muita coisa, foi realmente maravilhoso. Fui com ela visitar antigos cenários, como a casa onde eu morei e a igreja que frequentávamos. Está tudo lá, um pouco diferente, é claro, mas capaz de despertar boas lembranças.

Meu antigo colégio, onde fiz o primeiro colegial, hoje exibe uma placa informando que as aulas só voltam dia 17 devido à gripe suína. Nada escapa dessa pandemia. Fui à casa dos pais dela, pessoas de quem gosto demais, almoçamos lá no sábado, foi tudo muito especial. Esta semana, temos, Lu e eu, "missões" importantes a cumprir para que nossas vidas sigam seus cursos melhor do que vieram até agora.

E é assim que se faz uma amizade: bons momentos, outros nem tanto. Mas a gente está sempre ali, pra dar força uma pra outra e garantir que nunca falte força na peruca!




Escrito por Eloisa Morales às 21h18
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