Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Mulher, de 26 a 35 anos, Portuguese, Livros, Música



Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 Blog da Angela
 Blog do chef Juarez Paes
 Blog da Patrícia Machado
 Blog do Zé Marcos
 Blog do Jean Oliveira
 Blog do Gustavo Fialho
 Blog da Graziela Nunes
 Blog da Michele Beraldi
 Blog do Márcio Bracioli
 Blog do Danilo Galvan
 Blog da Natalí Garcelan
 Blog do Serginho Teixera
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis


 
Crônicas das coisas


Escuro...

Pensei que estava livre das zonas cinzentas em minha vida, mas parece que novamente me enganei. Estou atravessando uma dessas - e das bravas - neste exato momento. A sensação é de alguém que está em um avião atravessando uma nuvem escura e não tem a menor noção de quando sairá dela.

Nesse momento, tudo parece sem sentido: a vida, o lazer, o dia a dia. Antigos sonhos viraram pó, não consigo sequer resgatá-los para enxergar um pouco de cor nesse emaranhado de desgosto que tomou conta da minha vida. Senti que as coisas realmente se encaminhavam pra isso na terça-feira, durante uma caminhada na Pompeu.

Caminhada esta que tinha o objetivo de dar uma levantada no astral que já tava caído e liberar um pouco de neurotransmissores do bem. Não funcionou. Há pouco, me debatendo para tentar sair desse estado deplorável, fiz um enorme esforço para encontrar sonhos, planos ou qualquer coisa que me ajude a não submergir totalmente.

Nada do que pensei, nada do que planejei, nada do que desejei parece ter esse poder mais. Me sinto cansada. E muito só. Uma solidão incontrolável e onde ninguém consegue penetrar. De dentro do meu casulo, não consigo sequer dar a mão a um amigo e pedir ajuda. Mesmo assim, eles não têm me faltado. Só posso agradecer por isso.

Pensei em adotar um bicho de estimação, pensei em desenvolver um trabalho voluntário, pensei em pôr em ação meus planos para também me dedicar à docência. Nada disso, no entanto, consegue colorir a existência nesse momento. Nada disso é capaz de me dar um centímetro de esperança de dias melhores.

A Angela é minha única razão para não sucumbir de vez. Por ela tenho me levantado da cama às 11h da manhã, me arrastado até a cozinha para fazer almoço antes dela sair para a escola. Hoje nem isso fui capaz. As forças abandonaram as pernas e permaneci deitada, esperando ela sair para poder chorar. Me deu um pouco de febre.

Daqui a pouco, tudo isso vai passar, eu sei. Já vivi isso outras vezes ao longo desse último ano maldito e sempre saí do buraco. O que começa a me assustar é o fato de sempre voltar ao buraco, repetidas vezes, sem ter sequer um período razoável entre eles pra me sentir bem. Os intervalos entre um buraco e outro estão cada vez menores.

E dá-lhe antidepressivos. E dá-lhe terapia. Tudo isso pra que? Essas coisas apenas conseguem me segurar em pé. Me sinto dentro de uma ampulheta, onde a areia é o meu tempo que vai escorrendo sem que eu nada possa fazer. E parte desse tempo tenho perdido dentro dos buracos, fazendo uma força imensa pra sair de dentro deles.

O pior é a sensação de que a areia tá no fim para certos sonhos e que depois desse prazo acabar, restará apenas muita areia para suportar e nenhuma chance de ser feliz. 



Escrito por Eloisa Morales às 13h56
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]