Proibido fazer o número 2
Os jornalistas cubanos devem estar desanimados com a profissão. Não que os demais coleguinhas de outros países não estejam, mas em Cuba a situação é ainda mais dramática. Nada a ver com a atividade em si, mas sim com o destino das milhares e milhares de páginas dos jornais diários publicados na ilha de Fidel. Lendo a Veja da semana passada, soube que os cubanos utilizam as folhas de jornal como papel higiênico. Isso mesmo: faltam rolos do elemento mais básico na higiene diária da população que, sem alternativa, recorre aos jornais. Detalhe: tem gente que vive de vender jornais velhos para essa finalidade, principalmente aposentados que veem nessa fórmula uma maneira de complementar os parcos rendimentos. O mais engraçado é que existem as preferências. O diário Granma, a cartilha do governo cubano, é o que tem maior procura. Macio, absorvente e com boa impressão, não corre o risco de colorir o traseiro dos "leitores". Já o semanário sindical Trabajadores é usado apenas em situações de aperto, já que tem, segundo a reportagem, um papel áspero e é impresso em tinta laranja...imaginem a beleza que vira... Bom, não é para menos. Um único pacote de 4 rolos de papel higiênico na ilha custa o equivalente a R$ 5 e é inacessível ao cubano comum. Resultado: só têm direito ao papel turistas, uma vez que a "preciosidade" é encontrada em hotéis. Nunca estive em Cuba e vontade não me falta. Mas agora já sei o que levar na mala quando for: rolos e rolos do nosso melhor papel higiênico para vender no "câmbio negro"...rs.
Escrito por Eloisa Morales às 11h36
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