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Crônicas das coisas


Mensagem ao anjo da guarda...

Hoje eu queria escrever um post pra cima, alto astral, feliz. Me entupi de chocolate no almoço e agora também pra ver se a serotonina ajudava, não deu. Vai ficar pra próxima.

De qualquer forma, queria só dizer ao meu anjo da guarda que ele arranjou maravilhosos assistentes aqui na Terra e que eles, por si só, são uma boa razão para a felicidade.

Porque quando quero chorar, me dão o ombro e quando tô me sentindo a última das criaturas, me fazem ver que não é nada disso.

Aproveitando o post, farei um pedido ao anjo em forma de oração: acabe com essa insegurança que me dilacera o peito porque não há chocolate ou antidepressivo capaz de resolver essa questão. Amém. 



Escrito por Eloisa Morales às 19h53
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Complexos seres

Dirigindo de volta do jornal para casa, me peguei pensando hoje em como o ser humano é, de fato, complexo. A constatação, óbvio, nem é nova. E muito menos minha. Mas eu discutia isso mais cedo na terapia com a Marilanda. Dentro de cada um de nós vive a mais bela e a mais horrível criatura, duas faces da mesma moeda, representadas de várias formas pela humanidade ao longo de milênios. 

Como é bom se descobrir belo. Como é difícil se descobrir horrível. Como é difícil aprender a aceitar a feiura que às vezes insiste em se sobrepor à beleza. E quantas vezes é preciso se aceitar lagarta, mesmo sem enxergar a borboleta que há em nós. Complexos, sim, somos capazes de expor a beleza de manhã e a feiura à tarde, basta que para isso algo desperte aquele ogrinho que mora lá no lado escuro. 

Assim como belas e feras que habitam o mesmo corpo, os seres humanos também são tal e qual a Caixa de Pandora, figura mitológica que guardava os males da humanidade. Nós, em vez de males guardamos os sentimentos. Podemos passar da mais completa alegria à mais profunda tristeza num período menor que as 24 horas do dia, de acordo com os humores do mundo, vai da sensibilidade de cada um. Ou da taxa de serotonina, tanto faz.

Na relação com outros humanos, vamos vivendo ora o belo, ora o feio e há sempre aqueles que não querem admitir. Ódio, inveja, ciúme, raiva...Os nomes são tantos e nem sempre fácil identificar cada um. Pactos de amizade que camuflam mágoas são feitos à luz do dia, juras de amor que com os anos ganham a feição terrível do ódio atormentam milhões ao redor do mundo e a inveja....

Ah, a inveja, que corrói a alma de quem sente. É um sentimento cruel, pois o invejado nada sente. Portanto, quem a tem que se aguente. Senti-la é como beber veneno e esperar que o outro morra, já disse alguém em algum lugar (li essa frase não sei onde). 

E por fim, não menos corrosivo, o ciúme, que detona a vida de qualquer um. Senti-lo é como engolir milhões de abelhas vivas que te ferroam por dentro, sem dó. Reconhecer esses sentimentos talvez seja a melhor forma de vencê-los. Mas ninguém deve se iludir: eles não vão embora sozinhos nem nos isentam de marcas. Podem até passar, mas temos que vivê-los até que se esgotem. E as marcas vão ficar... 

 



Escrito por Eloisa Morales às 23h28
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