| |
Fantoches virtuais
Minha filha de 13 anos me contou que tem dois afilhados. Eles são bebês e gêmeos. Explico: não são crianças de verdade, mas sim uma página "fake" no Orkut. Foi criada por alguém. Assim como os bebês, os pais das crianças são dois outros fakes, que possivelmente não se conhecem. Decidiram, no mundo virtual, que namorariam, se casariam e teriam filhos.
Decidiram também convidar uma terceira pessoa (no caso, a Angela) para ser madrinha das crianças. Pelo que ela me informou, tais pessoas nunca se viram. Nos fakes, ninguém usa o próprio nome (claro, senão não seria um fake), e a foto escolhida pode ser a do seu artista preferido.
Já tinha ouvido algo parecido sobre o Second Life. Nesse jogo, pessoas sem filhos no mundo real os têm no mundo virtual. Bom, pensei: deve ser gente que não quer ouvir choros à noite nem trocar fralda suja. Desligam o computador e pronto: lá se foi o bebê.
Não vou entrar aqui numas de maldizer a tecnologia e apocalipticamente afirmar que o mundo está perdido. E que "no meu tempo" essas coisas não existiam (coisa chata quem faz isso). Mas depois de saber do "batizado on line", fiquei cismando. Que graça pode haver em vc fingir que é outra pessoa para se relacionar com outra que também finge ser quem não é?
A brincadeira me parece um tanto sem graça, mas isso não vem ao caso. Quando criança, gostava de brincar com fantoches e com eles criar histórias. Criava personagens e o contexto em que eles viveriam. Talvez esse seja o grande barato dos fakes e do próprio Second Life: a possibilidade de se transformar, nem que seja por alguns breves momentos, em algo que se gostaria muito de ser. Tentador, não?
No virtual, eu posso tudo: sou eu quem manda. Esqueço a genética, a conta bancária, a história de vida. Vira tudo um mar de rosas. É a projeção do "eu" brincando, namorando, casando, teclando com a projeção do "eu" alheio. Será um indício de que as relações humanas reais estão mesmo insuportáveis? Ou um sinal de que aprender a lidar com a frustração já é peça de museu?
Escrito por Eloisa Morales às 21h39
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Agruras de uma 'excluída' digital
Depois de muito pastar com a internet discada, um dia me enchi e resolvi, enfim, contratar um serviço decente para ter a internet banda larga. Liga daqui, pesquisa de lá, até que achei um serviço que se adequava às necessidades e, o mais importante, ao bolso.
Liguei, e depois de obter todas as informações, a ducha de água fria: a Telefônica gentilmente me informava que me mandaria, em casa, o kit "auto-instalável" para que "eu mesma" pudesse me conectar. Pensei cá comigo: isso não vai prestar.
Falei pra Angela que isso ainda ia nos dar dor de cabeça. Mas adolescente, sabe como é...Achou que eu estava fazendo tempestade em copo d'água. Eis que chega o kit. Munidas dequela pequena montanha de instruções "superfáceis" e muita pressa em ver logo o serviço instalado, lá fomos nós, Angela e eu, tentar pôr o negócio para funcionar.
Nem preciso dizer que ela é quem fez tudo, né? Ligou aquele monte de fios de várias cores de acordo com as instruções, ligou o modem. Pendurou as caixinhas (como é mesmo nome? Ah, filtro) nos fios de internet e no telefone. E eu, em volta, esperando ver surgir na tela nossa tão esperada internet rápida. Conhece a Lei de Murphy? Se alguma coisa pode dar errado, ela com certeza vai dar.
Liguei no 0800 da empresa e tentei, em vão, me comunicar com o atendente, super solícito, mas...
- Moço, acho que liguei algum fio no buraco errado!
- Impossível, senhora. Seu computador, atrás, possui apenas um local para a conexão do fio. A senhora ligou qual fio ao seu computador? Não foi o fio amarelo?
- É, mas não está dando certo! (E o moço, na maior paciência do mundo...)
E o rapaz, depois de meia hora comigo ao telefone, desistiu completamente. Combinou de enviar o técnico para que ele pudesse resolver a questão. O rapaz veio, instalou tudo direitinho e nós, enfim, conseguimos nos conectar. Moral da história: se a primeira moça que me atendeu tivesse me dado ouvidos (eu disse a ela que essa história de kit não funcionaria comigo), tudo teria sido resolvido mais rápido.
Nesse mundo cada vez mais cheio de botões, a Telefônica se recusa a acreditar que ainda exista alguém como eu, que nunca aprendeu a usar todas as funções do microondas, nem programar os extintos vídeo-cassetes para gravar a novela. Meu celular é um pai de santo e não sei como funcionam os tais chips que vc tira e põe para trocar de operadora.
Em casos de emergência tecnológica, valha-me São José Marcos Taveira!!!
Escrito por Eloisa Morales às 12h27
[]
[envie esta mensagem]
[link]
Enfim, o blog
Há algum tempo amadureço a idéia de fazer um blog. Não por modismo, mas para ter um lugar onde comentar as coisas do cotidiano, que normalmente a gente vê e deixa passar justamente porque não dispõe de um espaço como esses. O nome - crônicas das coisas - é inspirado no livro (Repórter das Coisas) de um brilhante jornalista/cronista, o Paulo Briguet, que é araçatubense mas vive e trabalha há anos em Londrina. O Briguet, inclusive, dá nome à minha turma de formados em jornalismo, lá se vão quase 12 anos. Não que eu tenha seu talento (os textos dele são de uma qualidade incrível), mas agora o espaço para minhas 'croniquetas' cotidianas vai trazer um pouco desse olhar sobre "as coisas" que a gente vê todo dia, nos surpreendem, nos emocionam ou nos deixam indignados.
Escrito por Eloisa às 12h47
[]
[envie esta mensagem]
[link]
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|